O Sentido das Palavras – Isabelle Fochier

O Sentido das Palavras - Isabelle Fochier

E cá estou eu com mais uma leitura terminada. Desta vez continuei com a mesma autora do último livro que li e li o outro livro que ela lançou anteriormente, “O sentido das palavras”.
Se já não te recordas do último livro, “O peso de um segredo”, podes ler a review que fiz aqui. Mas muito resumidamente, este livro contou a história de Christopher e Laura, de como se conheceram e de como se reencontraram para descobrir todo um segredo. Este livro foi lançado depois do “O sentido das palavras”, o livro que venho falar hoje, que fala sobre a história do filho de Chris e Laura.

Fico contente por ter lido os livros de ordem contrária ao que foram lançados pois o primeiro livro (o do filho) faz imensas referencias à história dos pais que se já a soubermos irão fazer todo o sentido, especialmente a forma como este livro termina. Por isso se lerem estes livros aconselho a que façam o mesmo.

Sinopse:
“A primeira vez…o primeiro amor…o primeiro perdão.
E se todos beneficiássemos da oportunidade de retroceder no tempo, e reviver momentos de outra maneira?
A complexidade das escolhas na idade das incertezas.
Brian Russel é um adolescente de dezassete anos, que vive em perfeita harmonia com os pais, Christopher e Laura, e uma irmã mais nova, a Emma.
O entendimento entre todos é perfeito, o percurso académico de Brian idêntico, com o sonho de seguir as pegadas do pai e ingressar na universidade de engenharia.
Quando conhece Marie Benoit, quase fruto de um acaso, a paixão entre ambos nasce instantaneamente. O que poderia ser uma simples história entre adolescentes banais, rapidamente se revela muito mais intensa e também preocupante, pois quando Marie engravida e escolhe uma saída, que a seus olhos é a melhor para o momento, as suas vidas vão precipitar-se numa sucessão de problemas graves.
Que consequências surgem na vida de todos, quando se opta pelas soluções mais simples?
Até onde aguenta um cérebro sobrecarregado, quando sente que a vida lhe escapa por entre os dedos?
E como pode o pai, libertar o filho e deixá-lo á deriva, quando o seu próprio passado tem uma história carregada de intensidade, perigo e mentira?”

O Sentido das Palavras - Isabelle Fochier

Entrei neste livro como o seguimento de uma história, o que para mim ajudou imenso a saber exatamente quem é quem, quem fez o quê e o porquê das coisas serem assim. Quem não tenha essa vantagem talvez discorde um pouco a forma como a personagem principal lida com os problemas e os seus princípios. Ainda assim foi um livro com uma leitura muito fácil e apesar de este ser bem maior que o outro, li-o em menos de uma semana.

A história começa com Brian (o filho) a apaixonar-se por Marie. As primeiras páginas dão a entender que a história se vai desenrolar nesta descoberta pela paixão mas rápidamente a história avança para uma fase mais estável da relação.

Brian e Marie namoram já há algum tempo e Marie sente que está mais que na altura de conhecerem os pais uns do outro, apesar de saber o porquê de isso nunca ter sido feito até à altura. Acontecimentos levam a que esse encontro com a familia acabe por acontecer e Brian sente-se a sair da sua zona de conforto e dos limites que impôs para o que acreditava ser uma relação feliz.

Um dia Marie descobre que está grávida e rápidamente ambos têm que tomar uma decisão, se manter ou não o bebé. Marie toma a decisão que parece ser melhor para todos e aborta mas essa decisão trás uma sucessão de problemas na sua vida e de Brian uma vez que Brian não lhe consegue perdoar. Apesar de ser um assunto bastante sensível, Brian ama-a e tentam com que a relação resulte mesmo quando existe um sentimento de desilusão tão grande entre ambos.

A história acaba por se desenrolar em grande parte a partir desta fase, os problemas que uma decisão destas causam, na relação e na saúde individual de ambos. Como manter uma relação de amor-ódio, como passar por um acontecimento visto como uma traição do parceiro e ainda assim continuar com ele. A história desenrola-se muito com os problemas que os pais tiveram com Brian (que foi o primeiro filho), a relação dos pais com o filho e a relação dos pais com a namorada.

Pessoalmente, nunca tendo passado por uma situação destas, a autora descreve todas as emoções e sentimentos de tal maneira que me consegui identificar e simpatizar com as personagens. É muito fácil compreender o porquê de se sentirem assim e de nos imaginarmos nesta situação, e nos problemas que se seguem. Acho que a história não poderia ter acabado da melhor maneira, não necessáriamente por ter acabado bem ou mal, mas porque fechou a história do filho e da namorada e do pai e da mãe. Por vezes temos a sensação de que ficou algo por contar num livro mas neste penso que acabou da maneira certa.

Se tivesse que escolher o livro que gostei mais escolheria “O peso de um Segredo” (o dos pais) porque achei a história mais entusiasmante e apaixonante. Esta achei-a mais angustiante.

O Sentido das Palavras - Isabelle Fochier

Este livro tem 706 páginas e um custo de 23 euros.

Podem encontrar o livro aqui.

Catarina

Chiado Editora | O Peso De Um Segredo

Chiado Editora | O Peso De Um Segredo
Olá a todos! 

Hoje venho trazer-vos mais uma leitura que terminou e esta foi uma agradável surpresa.

O livro em questão é “O peso de um segredo” de Isabelle Fochier e recebi-o pela Chiado Editora na altura do seu lançamento, algures no meio de Maio se não me engano. E ainda bem que o recebi pois pelo título e pela capa este é um livro que difícilmente compraria e acabei por gostar imenso dele. Mais uma prova que não se julga um livro pela sua capa.

Sinópse:
“Duas vidas, destinadas a se encontrarem. Dois destinos, decididos a separarem. Laura Thompson sente-se prisioneira de uma noite que lhe modificou para sempre o percurso de vida.
Numa noite, Christopher Russel vê o percurso da sua vida escapar-lhe perante as circunstâncias e seguir outro rumo, longe daquela que ele escolhera para amar a perder no tempo. Dez anos de sofrimento, de segredos e de erros, irão separar duas pessoas que por medo de enfrentar o destino, se refugiam cada um no seu mundo, edificando muros ao seu redor e comprometendo a felicidade.
Mas no coração de alguns a perseverança persiste, o reencontro está iminente, longe de supor que ele os vai mergulhar numa espiral de desentendimentos e dor.
Como agir perante um erro colossal que põe em perigo sentimentos verdadeiros?
Onde encontrar força e sabedoria para afastar o rancor do amor?”

A sinópse mostra que este livro não é nada mais nada menos que um romance entre duas personagens que se amavam mas que por algum motivo se separaram dando a entender que surge daí o “segredo”. Este livro na verdade vem na sequência de um outro, “O sentido das palavras” que é um avanço na história desta familia e agora este livro vem contar toda a história por trás.

Apesar de nunca ter lido o outro livro não senti qualquer necessidade disso pois toda a história tem contexto que nos conta exatamente o que precisamos de saber para entender tudo o que está a acontecer. 

Nunca tinha lido um livro com narrador, normalmente está escrito na primeira pessoa mas com a autora a querer relatar os sentimentos de ambas as personagens achei que esta opção foi bastante inteligente e nos ajuda a saber exatamente que personagem estamos a ler e que sentimentos pertencem a quem.

Agora em relação à história vou tentar não contar o principal pois o que me agarrou ao livro era a expectativa do que ia mesmo acontecer. Laura é uma rapariga que vive numa cidade turística que no verão recebe imensas pessoas de fora para um período de férias. Laura nunca se deu com as pessoas da sua cidade e os seus amigos eram um grupo de pessoas que iam sempre passar as férias onde vivia. Apesar de apenas se verem nessa altura do ano mantinham contacto com telefonemas e cartas e, certo verão, Laura apaixonou-se pelo irmão mais velho da sua melhor amiga, Christopher.

Ambos vivem um belo romance de verão (que aconselho vivamente a lerem) até que as férias se acabam e um evento em específico faz com que Laura e Christopher não se possam despedir. Ambos estavam apaixonados mas nunca o disseram um ao outro e a mágoa e a distância acabou por os separar durante 10 anos, até ao período em que nos encontramos agora no livro.

O livro centra-se mais em Laura pois é com ela que o “segredo” acaba por ser desvendado e é através da sua história que percebemos porquê que Christopher nunca voltou àquela cidade depois daquele verão. Ambos tentaram seguir com as suas vidas mas nunca superaram o amor que sentiam um pelo outro, algo que faz Laura recusar o pedido de casamento da pessoa com quem estava à 5 anos.

Entretanto Christopher, que nunca conseguiu esquecer Laura, muda-se para a sua cidade com as intenções de a achar e dizer tudo aquilo que sente à 10 anos. Sem saber por onde começar, nem por onde procurar acaba por encontrar Laura de uma maneira inesperada acabando por mudar a vida dos dois. O “segredo” precisa de ser desvendado mas o medo e a incerteza cria uma barreira enorme entre os dois e uma vez descoberto causa um misto de emoções e de acções que ambos precisam superar.

O amor que estas personagens sentem uma pela outra é inquestionável e certamente que nos faz pensar e tirar muitas lições deste livro, da maneira como agimos com outras pessoas e como por vezes conseguimos superar até mesmo as coisas mais horriveis. Cheguei a um ponto em que já não queria ler as passagens do passado, pois já tinha entendido a questão, mas sim um maior desenvolvimento na interação destas duas personagens. O amor deles não cansa e toda a história só nos faz querer ler mais. Perdi-me facilmente nesta história e fiquei triste quando acabou, não estava preparada para deixar de ler este romance embora tenha acabado de uma forma que nos responde a todas as dúvidas que podessemos ter.

Eu gostei imenso deste livro, tanto que li metade num só dia e só não li mais porque a faculdade não deixou, e recomendo-o bastante. É uma história muito bonita que nos mostra o que é sentirmo-nos vulneráveis e mesmo assim amar tanto alguém, e deixarmo-nos ser amados. Não vou contar mais pois é completamente impossível não dizer mais nada sem revelar questões essenciais da história. Mas se gostam deste tipo de livros acreditem que vale mesmo muito a pena.


Chiado Editora | O Peso De Um Segredo

Este livro tem 432 páginas e custa 20 euros.

Catarina

Leitura De Abril – Os Guerreiros De Antares

Os Guerreiros de Antares
Hoje venho finalmente trazer-vos a minha leitura de Abril, “Os Guerreiros de Antares” da Heloisy Tínel.
Desde que o blog começou a parceria com a Chiado Editora que comecei a ter o hábito de ter algo para ler durante as viagens de comboio para a faculdade. Aquela meia hora perdida a olhar pela janela é agora substituída por um momento de leitura e foi isso que me impôs o primeiro requisito para o livro deste mês, um livro que tivesse mais de 300 palavras.
Desta vez quis fugir ao meu hábito de escolher livros relacionados com viagens e como sei que gosto de livros com histórias de fantasia, ao ler a sinópse deste, fiquei logo com o bichinho atrás da orelha.
Os Guerreiros de Antares

“Annelise Boudelaire é apenas mais uma habitante do mundo que conhecemos e seu grau de importância é tão comum quanto para qualquer outra pessoa: ela tem amigos e tem família. No entanto ela acaba por descobrir que toda a sua vida fora estruturada a base de mentiras e a culpa disso era de Isaiah Boudelaire, seu próprio pai. Quando seis homens armados com espadas invadem sua casa, ela percebe que sua vida nunca mais será a mesma por conta de uma terrível verdade: Anne não é humana. Atrelada a isso está a revelação de que existe um outro mundo onde ela é mais importante do que jamais seria na Terra: Antares. Com essas descobertas, Anne deve seguir as ordens que lhe são dadas e se tornar capaz de cumprir o seu dever. O destino de dois mundos pode estar em suas mãos.”

Através da sinópse consegue-se logo entender que o livro está em brasileiro, mas ao contrário do livro “Comissária de bordo por um dia” este lê-se muito bem e não encontrei quaisquer “gafes”.

A leitura é muito fácil e está escrito de modo a que consigamos visualizar tudo e perceber todas as personagens o que para mim é muito importante. Não gosto muito de quando temos que ler e reler várias vezes a mesma página até aquilo fazer sentido na nossa cabeça.
Os Guerreiros de Antares

“Os Guerreiros de Antares” é um livro com 558 páginas sobre uma rapariga, Annelise Boudelaire que descobre que não é humana e a partir daí a sua vida dá uma volta de 360º. 

Essa descoberta revela que a sua mãe na verdade não é a sua mãe biológica pois a sua mãe não era humana. Isso faz com que Anne sinta uma grande revolta por toda aquela mentira, por sentir que a sua vida nunca passou de mentiras atrás de mentiras e não sabe em quem confiar ou acreditar. Ainda assim, mesmo com toda a história de não ser humana lhe parecer completamente ridícula, Anne é forçada a ir com os homens que a foram buscar a sua casa para o seu verdadeiro mundo.
No início nada lhe faz sentido, existem muitas perguntas e nenhumas respostas. Consoante os acontecimentos Anne percebe que é uma guerreira e que tem um Eike (fluxo de energia) maior que o normal e por nunca ter sido treinada para o controlar que o seu “mau” uso pode por em risco muitas pessoas. Isso leva a que seja treinada imediatamente pelos homens que a foram buscar, que percebemos depois serem os mestres dos guerreiros. Cada um é especialista numa habilidade e eles são os melhores dos melhores.
Anne não percebe a urgência de ter que aprender tudo, especialmente quando aprender a controlar o seu Eike significa que tem de se magoar constantemente. É aí que começamos a perceber que Antares está em guerra e que de momento estão numa trégua que pode rápidamente acabar. Ela precisa de estar preparada para lutar mas a cima de tudo controlar as suas habilidades para não ser um risco para todos.
Os Guerreiros de Antares
Ao longo do livro Anne vai descobrindo coisas a cerca da sua vida e da sua verdadeira familia, vai fazendo alguns, poucos, amigos e torna-se numa guerreira muito forte. Ela é uma personagem arrogante e estremamente sarcástica, que não liga muito para as outras pessoas e que não entende porque que aquilo está a acontecer com ela. Isso aliado ao facto de ter um eike muito forte revela-se um grande desafio que ora a salva de certas situações como a acaba em por em problemas.
O que me acabou por prender de imediado ao livro foi mesmo esta personalidade muito forte, fria e até bruta desta personagem. Para além de diferente, consegui ver algumas semelhanças de uma amiga minha, especialmente o sarcasmo e algumas atitudes de auto-proteção. O facto de conseguir relacionar uma com a outra e entender de imediato as suas atitudes fez com que estivesse do lado dela o tempo todo, a escrita também está feita de modo a que isso aconteça. Existem claro alguns momentos em que ficamos “porquê que ela fez/disse isso?” mas no geral conseguimos perceber sempre o seu lado ao longo do livro.
Para além dos seus novos amigos, Anne estava quase sempre com os seus mestres. E porquê que isso é relevante? Porque existe um mestre que desde o início do livro sempre mostrou não gostar de Anne e que só a tentava ajudar por obrigação, mas quando ela precisava era sempre ele que estava lá. Mas como nós sabemos, “quem desdenha quer comprar” e por isso passei o livro todo à espera que acontecesse alguma coisa entre eles. 
E isso foi algo que me deixou bem chateada quando o livro acabou, não porque não aconteceu mas porque só aconteceu no fim! Mesmo no fim! E aconteceu de uma forma que ainda nos deixa mais ansiosos por saber mais, por querer mais! E juntamente com isso a história dá uma grande reviravolta acrescentando ainda mais perguntas às que entretanto não foram respondidas.
Os Guerreiros de Antares
O livro termina com Anne a sentir-se finalmente como parte daquele sítio, embora ela não o admita, isso consegue ser perceptível. 
Este foi um livro que me deixou completamente agarrada à história, daqueles que quando tinha que sair do comboio só desejava que ainda faltassem mais uns minutos para ler um pouco mais. E quando acabou, bem, acho que perceberam em cima que não queria que acabasse. Não podia ter acabado assim, afinal tanta página a torcer por um romance e por uma história que acaba por se iniciar no fim do livro?!
Agarrei imediatamente no computador e fui pesquisar mais a cerca de “Os Guerreiros de Antares” e descobri que vão ser uma trilogia (yeiiihhhh!). E apesar de a história não ser de todo sobre o romance que eu queria que acontecesse, confeço que sinto a necessidade de ver isso mais abordado num próximo livro. 
E como super detective que sou sei que o segundo livro já está a ser escrito, será que dá para mandar um comprimido milagroso para que a autora escreva mais rápido?
Se também ficaram com o bichinho atrás da orelha podem encontrar o livro aqui.
Catarina

Comissária de bordo por um dia

Comissária de bordo por um dia
Como sabem o blog tem parceria com a Chiado Editora e durante o mês de Janeiro recebi mais um livro para vos mostrar. Se ainda não viste a resenha do último livro podes ler aqui
O título deste livro chamou-me logo à atenção, Diário de Bordo – Histórias de uma comissária de vôo no Oriente Médio, e desde que li a sinópse deste livro que sabia que ia ser o próximo que iria ler.
Sinópse:
“Como é ser comissário/a de bordo? Será este o melhor trabalho do mundo? Este livro tenta responder a estas e outras perguntas. Ele é uma coletânea de algumas memórias de vôos de uma comissária de bordo nos Emirados Árabes Unidos. Ele mostra como é o estilo de vida e o trabalho de uma pessoa que exerce essa função e tenta desmistificar o mito que as pessoas criam ao redor desta profissão, ele narra algumas reflexões e experiências pessoais vividas neste meio, seja durante os vôos ou durante os pernoites em outros países.”

Quem nunca sonhou em ser comissário de vôo e poder voar e ver o mundo inteiro? Eu sempre tive esse pequeno desejo, talvez não de trabalhar pelo mundo inteiro mas sim de o ver, e saber como é a vida de uma hospedeira era algo que tinha muita curiosidade.

O livro chegou a meio de Janeiro e li-o no próprio dia, talvez em quatro horas, de tão entusiasmada que estava. O livro é pequeno, tem apenas 128 páginas e é muito fácil de ler. A autora é brasileira e o livro está escrito assim mesmo. Apesar de algumas gralhas que pude encontrar no texto, este é muito fácil de ler, algumas frases fazem confusão quando as lemos a primeira vez por não estar na nossa gramática mas nada que uma segunda leitura não resolva.

Mas e o que achei do livro? Bem, eu fiquei com imensa vontade de ser hospedeira embora o livro retrate bem a quantidade de horas que estas pessoas trabalham e algumas situações nada agradáveis pelo que têm de passar. É um estilo de vida diferente, aventureiro, que pode ser solitário por vezes mas que também vos leva ao mundo inteiro e onde conhecem constantemente pessoas novas. Existem situações em vôo que não sei se saberia reagir como a autora reagiu. Existem viagens e experiências que adorava ter vivido tal como ela os viveu. Era algo que não me importaria de fazer numa fase da minha vida (nada de muito eterno).

Se também têm este bichinho de voar pelo mundo ou mesmo de serem comissários de bordo acho que deviam sem dúvida ler este livro. É muito leve e fácil de ler e capaz de vos fazer apaixonar por esta vida um pouco aventureira.
Comissária de bordo por um dia

Catarina

Ler E Viajar Sem Sair Do Sítio

Não gosto de ler. Sim é verdade, não gosto de ler. Ou assim o disse durante anos e anos sempre que as minhas primas ou amigos começavam a conversar sobre os livros que tinham lido. Achava um desperdicio de tempo, para quê ler se podia estar a aproveitar esse tempo de maneira bem melhor?

Cresci no campo pelo que tudo o que queria era estar a brincar na rua, fazer caminhadas pelas serras e ir em pequenas aventuras, havia lá tempo para coisas como ler. Ler acontecia apenas quando era obrigada pela escola e sempre que tinha que estudar para um teste era um martírio.

Eu gosto é de estar na natureza, de viajar, de desporto, de coisas activas e ficar sentada horas e horas a ler um livro era exactamente o oposto de tudo aquilo que sou. Até que um dia vi um livro que me chamou a atenção, um livro sobre uma aventura por várias partes do mundo, um livro sobre viagens e sobre autoconhecimento, um livro que apenas com as palavras escritas na contracapa parecia descrever-me.

Comprei-o, devorei-o em dois dias e percebi que, afinal, gosto de ler. Afinal, apenas nunca tinha encontrado o que gostava de ler e ao contrário de todas as pessoas que liam romances e policiais eu queria era ler sobre viagens, sobre aventuras reais, relatadas pelos próprios e que um dia, se tiver sorte, também eu possa passar por esses locais e fazer essa aventura.

Desde que fiz essa descoberta que já li alguns livros que me fazem viajar sem sair do mesmo sítio, fazem-me sonhar acordada e esquecer o mundo que está à minha volta, fazem com que viva a mesma aventura através de imagens e detalhes, e, fez com que tivesse iniciativa de ter uma parceria com a Chiado Editora.

Pois é, a rapariga que não gostava de ler tem uma parceria com uma editora, qual não é a ironia. Mas brincadeiras à parte, a tarefa de escolher qual livro queria para ler foi um grande desafio. Acabei por escolher “Livre para correr” de Nuno Miguel Nunes.

O nome pode induzir um pouco em erro, eu no início pensava que fosse um livro sobre uma competição ou algo do género mas ao ler a descrição que se encontra no site da Chiado Editora percebi que o livro na verdade abordava muito mais a maneira de encarar a vida e de como sermos felizes.

Percebi que juntava isso tudo com uma viagem pela natureza e não resisti à tentação de querer descobrir sobre o que se tratava.

“Livre para correr” é no fundo uma carta de Nuno para os seus filhos (o que achei uma ideia genial) que foi escrita durante uma viagem de trail running nas terras escocesas.

O livro retrata a maneira de Nuno encarar a vida, um amor incondicional pela Natureza e pelas coisas que relamente nos são necessárias para viver. Eu consegui identificar-me imenso com a maneira de ser de Nuno tanto que depois de ler este livro deveria referir-me como “O” Nuno pois sinto que o conheço.

Tal como eu adoro fazer trilhos pelas serras e caminhar pela Natureza Nuno também gosta mas, diferente de mim, gosta de correr (trail running). Esse gosto fez com que fizesse algumas das viagens mais emocionantes da sua vida, e que eu acredito serem aventuras espétaculares, e o livro retrata a sua passagem pelo percurso do WHW.

Por ser uma carta dedicada aos seus filhos o grande destaque vai mesmo para como Nuno encara a vida e o tenta explicar através das páginas. Embora eu gostasse imenso desse lado do livro gostaria que o destaque tivesse ido para a viagem que senti estar pouco relatada. Sei que esse não era o objectivo de Nuno com este livro mas gostaria a viagem tivesse tido um pouco mais de importância.

As imagens ao longo do livro conseguem satisfazer essa falta de detalhe dos percursos fazendo-nos imaginar como seria estar lá naquele momento. Como nos sentiriamos? Será que conseguiamos fazer um percurso tão grande sozinhos?

Conforme me aproximava do fim do livro mais ansiosa ficava por o terminar, foi a minha companhia durante umas semanas nas viagens de comboio para a faculdade e dei por mim a desejar que as viagens fossem mais longas para poder ler mais um bocadinho.

Ao terminar fiquei com uma enorme vontade de um dia também fazer este percurso, identifiquei-me tanto com este livro, seja pelo gosto de aventura, pelas viagens sozinhos onde nos conhecemos melhor, pela maneira de ver a vida que sinto que, daqui a uns anos, talvez eu pudesse ter escrito este livro. É como se estivesse a ler um reflexo de quem sou e quero ser e agradeço imenso ao Nuno por partilhar conosco os seus pensamentos e a sua maneira de ver a vida.

Recomendo este livro a 100% e não tenho as menores dúvidas de que ajudará muitas pessoas a verem a vida da maneira correcta e a viajar para sítios fantásticos.

Catarina